Em gênero, número e grau o Festival Varadouro atingiu o mais alto nível em 2010. Bandas dos mais diversos estilos passaram pelos palcos cachoeira e bom destino. Bandas com mulheres na formação, indígenas, argentinos, peruanos, acreanos, sulistas, nortistas… a diversidade é grande e os números também. Mais de 20 mil pessoas. Mais de 100 bandas, jornalistas, produtores e ativistas culturais. A sexta edição elevou e consolidou de vez o festival em alto grau organização, qualidade e diversidade musical e o que é melhor: satisfação total do público presente.
O desconhecido gera curiosidade ou descontentamento. No quesito escalação das bandas o desconhecido foi surpreendente. Gaby Amarantos, com seu tecnomelody do Pará, fez com que quem tinha torcido o nariz, jogasse a mãozinha pra cima e dançasse ao som contagiante da paraense cheia de energia. Saulo Duarte e a unidade mostrou ao público um bom gosto em timbres, muita criatividade, além de camisas bonitas. Outra surpresa boa vinda do estado do Pará. Aliás, o terceiro paraense não ficou por menos: Juca Culatra e o power Trio. Como não se encantar com o carisma e energia embalado ao som do reggae e chuva? Ela veio e não intimidou os paraibanos do Cabruêra, muito menos o público que se rendeu à grande roda para abençoar o primeiro dia do festival.
O que dizer do metal da Survive que agrada até quem não gosta de metal? Dos Hermanos mascarados Los Siniestros? Da estréia de Ana e os Lobos ao lado da multifacetada e respeitada Caldo de Piaba? Da Orquestra Guitarrística Camarones, do Rio Grande do Norte, que trouxe o termo orquestra pra outro nível onde sonoridade, elegância e charme se juntam às notas e fazem os pés quererem balançar? Da energia melancólica e nostálgica com sotaque gaúcho do Pública? Do balanço maneiro, carimbó divertido Do Amor? Da canção e da emoção amazônica cantada como se fosse hino dos Los Porongas? Da energia e pegada, mistura de sons e ritmos dos peruanos do El Hombre Misterioso? Dos Tambores, cânticos, barulhinhos, sons da floresta em uma atmosfera verde do índio Shaneiho Yawanawa, no palco cachoeira? Do compasso do samba, do swing, da criatividade carioca de Lucas Santtana? Da psicodelia divertida, do universo sonoro, da atmosfera setentista, eletrônica e envolvente, do charme e da estética vinda do extremo norte do Brasil, os amapaenses do Mini Box Lunar? Do guitar hero acreano Charles Sampaio junto ao performático e talentoso vocalista Ronnie Blues e o drumm hero Paulinho nobre, impossível não mencionar a qualidade e energia do regional com o contemporâneo, da floresta com a cidade, tudo traduzido em som da mais alta qualidade: Mapinguari Blues. Fechando a tampa do caldeirão musical cheio até o caroço, Bnegão e os Seletores de Frequência. Na ancestralidade, misturada com o funk, samba, rapnrollragga.
Múltiplo. Diverso. Polivalente. Democrático. Acessível. Multifacetado. Ousado e envolvente. Quem tiver mais palavras pra descrever o festival, que fique à vontade.
O Festival Varadouro agradece à todas as bandas que ajudaram a abrilhantar os caminhos no Acre, à equipe de produção, aos parceiros, à Petrobrás e ao Governo do Estado do Acre pelo patrocínio e ao público que só aumenta a vontade de continuar fazendo cada vez melhor o seu, o nosso festival de música.
Um ótimo 2011!




